Ontem (15), o aplicativo da 99 amanheceu fora do ar em todo o Brasil. Motoristas de norte a sul relataram o mesmo erro: “serviço não ligado”. Ou seja, ninguém conseguia trabalhar. Ninguém conseguia aceitar corridas. E o mais grave — ninguém sabia o motivo.
Nenhum comunicado oficial, nenhuma transparência. O país inteiro parado, e um silêncio ensurdecedor vindo de uma empresa controlada por capital chinês, que lucra bilhões explorando o trabalho dos motoristas brasileiros.
E aqui está o ponto que pouca gente tem coragem de falar: esse tipo de pane não é apenas um problema técnico — é um alerta.
Quando uma empresa estrangeira domina uma fatia tão grande de um serviço essencial (como transporte urbano), o país inteiro fica refém. Basta um clique, um erro de servidor ou uma decisão tomada em outro continente para deixar centenas de milhares de trabalhadores sem renda — e milhões de passageiros sem transporte.
Enquanto isso, os motoristas da 99 continuam sendo massacrados por taxas abusivas, corridas a preços de miséria e bloqueios injustos, sem direito a diálogo, sem suporte humano, e com uma política de punição automática que trata pessoas como números descartáveis.
Um motorista se mata de trabalhar, gasta com combustível, manutenção, pneu, seguro — e no fim, vê a plataforma ficar com a maior parte da corrida. E o que ele ganha? Instabilidade, desrespeito e um sistema que pode simplesmente desligar do dia pra noite.
O que aconteceu ontem expõe um risco que vai muito além de um aplicativo fora do ar. É sobre dependência digital, vulnerabilidade nacional e ausência total de soberania tecnológica.
Estamos entregando o coração da mobilidade urbana nas mãos de uma corporação estrangeira que não presta contas a ninguém aqui.
E enquanto isso, o governo continua assistindo calado, como se não fosse problema dele.
Se amanhã a 99 resolver encerrar operações no Brasil — ou pior, aplicar um “calote digital” — milhares de motoristas ficariam sem renda, sem aviso, sem suporte e sem alternativa.
E tudo isso porque deixamos que o transporte, que deveria ser um serviço público essencial, virasse um negócio comandado por um algoritmo lá do outro lado do mundo.
O apagão da 99 não foi um simples erro técnico.
Foi um aviso claro: ou o Brasil começa a criar suas próprias soluções de mobilidade, com controle nacional e respeito aos motoristas, ou vamos continuar sendo explorados, um app de cada vez.